sábado, 9 de janeiro de 2010

Sob os cuidados da arte


Sob os cuidados da arte


Written by Luiz Horácio Rodrigues
25-Nov-2005 às 08:59
Resenha sobre o livro "Arteterapia com Crianças" (Wak Editora), de Vanessa Coutinho
Sou leigo em tudo. A partir do instante em que li num cartão de visitas: arteterapeuta, decidi me tornar não tão leigo em arteterapia. E sem a pretensão de saber, fui procurar entender. Qual o melhor caminho? Ler a respeito seria o mais indicado, no entanto havia uma possibilidade viva, conversar com a arteterapeuta Vanessa Coutinho, psicóloga, professora universitária e autora do livro Arteterapia com Crianças (Wak Editora). Desse modo passei a entender que a arte não tem limites, que a arte não é da ordem das coisas pitorescas e que também não existe arte descartável. Mesmo em seu aspecto mais rudimentar, a arte é a expressão dos sentimentos e dos mundos que o ser humano encerra.
“Mas isso é arte, e sei disso desde que me conheço por gente”, você, com toda razão, pode estar dizendo, caro leitor. E a terapia, entra por onde? E de que maneira se torna aliada da arte no propósito de salvaguardar o bem estar das pessoas?
Arteterapia com Crianças me fez perceber que o conhecimento transmitido pela ciência aliado à capacidade de conceder a devida importância aos sentimentos transmitidos pela arte vem a ser a Arteterapia. De outra forma: Arterapia é entender valores diversos, do campo do conhecimento e do campo do sentimento como, de igual forma, necessários para o projeto da vida humana. Favor não confundir arteterapia com recreação, e também poupá-la de compromissos com o exótico, com o esotérico e com qualquer prática avessa aos rigores da ciência. Arteterapia tem a ver com o exame dos simbolismos praticados por Freud desde os primórdios, Jung e Dra. Nise da Silveira, por exemplo.
De posse disso e com a formação devida, aquela que sabe separar o joio do trigo sem preferir o joio do campo dos afetos, podemos investigar de que se trata a terapia. Terapia, do grego therapeía, para a autora, mais que tratar, é honrar, é assistir, é cuidar.
Por outro lado, quem garante ser a arte capaz de transfigurar o sofrimento de um paciente? Justo a arte, que é fruto da dor? Então como duelar com a dor armado de arte? E ainda mais sendo esse paciente uma criança.
Para Spencer, a arte tem origem nas brincadeiras e estas são cópias das ações reais, sendo assim, na ausência de uma definição objetiva de arte, entendemos que arte possa ser a manifestação da emoção como plena originalidade comunicando essa emoção ao utilizar-se de conformidade de linhas, formas ou ainda uma seqüência de gestos, sons ou palavras adstritas a certos ritmos.
Arteterapia com Crianças é o resultado da ação prática dessas informações básicas, ao mesmo tempo fundamentais, combinadas com a experiência no setting terapêutico junto a adultos e crianças, tanto portadoras quanto não portadoras de necessidades especiais, palestras e cursos. O leitor encontrará uma reunião de práticas, materiais e informações teóricas e a comprovação de sua eficácia com a análise dos casos apresentados por Vanessa Coutinho.
A leitura me leva a concluir que arteterapia com crianças exige coragem o bastante para derrubar preconceitos, sensibilidade ao ponto de saber conjugar ciência e sentimento, sem desafinar nem com a arte tampouco com a terapia, e, por fim, o talento. Sim, talento. Talento, como aptidão natural ou habilidade adquirida, para a expressão. Atenção: não confundir expressividade com beleza, por favor.
Já não tão leigo me atrevo a considerar a Arteterapia como a terapia mais democrática e capaz de desinibir os mais renitentes e, em se tratando de crianças, sem dúvida a mais indicada e eficaz terapia. Afinal de contas, é sempre muito agradável ser paciente da arte.
[Texto publicado na versão impressa de Poiésis - Literatura, Pensamento & Arte, nº 116, novembro de 2005, pág. 7]



2 comentários:

Amandinha disse...

gostaria de saber qual ano é a publicação do livro

Eloisa Floriano Fasulo disse...

Amandinha,foi publicado em 2005 pela WAK Editora,ok.
Eloisa

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