quinta-feira, 26 de abril de 2012

MILHO DE PIPOCA – Rubem Alves


Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor.

Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também. Imagino que a pobre pipoca fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si.
Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela. A Pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.

Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de Pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida Inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.
Do livro: “O amor que acende a lua”, de Rubem Alves

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Autismo em Arte: História de Siobhan


Autismo em Arte: História de Siobhan


Em homenagem ao Dia da consciência do autismo, estamos trazendo de volta Siobhan história dos arquivos. Foi originalmente publicado em 14 de dezembro de 2007.
Minha filha Siobhan é de três anos e pinta com as mãos e dedos. Grande coisa, você está pensando, certo? Na verdade, é um grande negócio. Eis o porquê:
Siobhan foi diagnosticado com autismo na idade de dois anos e meio. Ela é relativamente não-verbal, e logo após seu diagnóstico, ela começou a comer apenas alimentos secos e crocantes. Ela tem um ajuste na banheira quando é hora de sabonete e xampu. Ela grita, se o cão da família lambe sua mão. Basicamente, a minha filha não pode estar a tocar ou até mesmo entrar em contato com nada molhado, viscoso ou mole.
Nós começamos a pintar com um pincel como uma forma de "arte terapia" para tentar levá-la usado para diferentes texturas e, possivelmente, para começar a experimentar novos alimentos. Na primeira, Siobhan só usar um pincel, e qualquer tipo de tinta que tem em suas mãos tiveram de ser imediatamente removidos. Nós fomos sobre como este por algum tempo, porque ela gostou da atividade. Um dia, do nada, ela jogou a escova no chão e começou muito bem misturar as cores com as mãos. Eu não poderia ter sido mais espantado.
Desde aquele dia, nós deixá-la começar a pintar em telas. Ela progrediu rapidamente como um artista pouco, e começou a gesticular, ou mesmo dizer o nome da cor que ela queria seguir para a sua pintura. Ela escolhe suas cores com muito cuidado e coloca um monte de pensamento nele. Se eu cometer um erro e dar a ela a cor errada, ela vai jogar a lona no chão, ou raspar a tinta com as mãos e arremessá-lo. Depois de limpar muitos messes enormes, percebi que se eu segurar as cores na frente de seus dois ao mesmo tempo, ela vai tocar em ou agarrar a cor que ela quer, quando eu chegar a ele. Eu também comecei deixá-la escolher o formato ou tamanho da tela que deseja usar. Quando Siobhan está muito satisfeito com seu trabalho, ela abas as mãos com excitação, o que leva a respingos em muitas de suas pinturas. Ela traz-me o seu avental ou pede "cores" cerca de uma vez ou duas vezes por semana.
Em outubro, foram convidados para quatro pinturas de minha filha para mostrar em Rhode Island (minha cidade natal) na Galeria do Centro de Neurodesenvolvimento de Arte Autismo Projeto. Recentemente, um jornal local fez um artigo sobre Siobhan e suas pinturas originais. A história foi rapidamente apanhada pela Associated Press e depois tudo acabou Flórida e vários outros estados também. Cerca de duas semanas depois, fui contactado pelo programa Bom Dia América. Eles queriam fazer uma reportagem sobre Siobhan. Estávamos tão empolgados que havia uma história positiva sobre o autismo ter um impacto tão grande sobre as pessoas! Eu concordei em deixá-los fazer a história se fosse minimamente invasiva. Minha filha não gosta de luzes artificiais, ruídos altos, ou qualquer coisa fora de sua rotina normal. Um amigo próximo na indústria cinematográfica se ofereceu para fazer a gravação para nós, pois Siobhan já estava muito familiarizada com ele.
Eu alinharam todos tintas Siobhan sobre a mesa da cozinha, toalhetes configurar seu bebê, toalhas de papel e telas. (Ela ainda não gosta de receber muita tinta nas mãos, então eu preciso limpá-los muitas vezes.) Uma vez que foram criados e ela teve sua blusa, ela estava pronta para pintar eo filme começou a rolar!
Mesmo com iluminação mínima e apenas uma câmera criada, Siobhan era desconfortável e distraído. Ela fez duas pinturas durante as filmagens, mas eu poderia dizer que ela estava muito ansiosa, e ela não era para ele ou gostando do jeito que ela normalmente faz, então paramos depois disso.
Na noite seguinte, fui entrevistado no filme. Me pediram para contar a história de Siobhan, como a pintura surgiu, eo progresso que ela fez. Eu falei sobre a nossa loja no Etsy, SiobhansDream, eo que fazemos com o dinheiro que ganhamos com a venda de trabalho de Siobhan. Uma das maneiras que usamos o dinheiro que ela faz é comprar mais suprimentos de arte para ela. Ele também nos ajuda a cobrir os custos de algumas de suas necessidades especiais de dieta, tratamento e terapia. Nós também doar para várias instituições de caridade relacionados com o autismo, para que Siobhan pode ajudar outras famílias como a nossa.
E tudo que eu tenho que dizer para as pessoas que pensam arte-terapia não ajuda é o seguinte: Minha filha usa palavras mais quando ela está pintando, então em qualquer outro momento. E Siobhan - que não ia comer nada que não fosse seca ou crocante, e não tocar em nada molhado ou squishy diferente sua pintura - começou a comer sorvete há algumas semanas.

sábado, 14 de abril de 2012

Educar é preciso!: A ARTE COMO RECURSO PEDAGÓGICO...

Educar é preciso!: A ARTE COMO RECURSO PEDAGÓGICO...: A ARTE é a grande janela para o MUNDO!!! Ela cura! Ela cria! Ela faz viajar por uma estrada cheia de possibilidades! A linguagem subli...

ESPELHO DA VIDA





ESPELHO DA VIDA 
O mundo ao seu redor é um reflexo, um espelho que mostra quem você é. 
O que você acha de bom nos outros, está também em você. 
Os defeitos que você encontra nos outros são os seus defeitos também. 
Afinal, para reconhecer algo, você tem que conhecê-lo. 
As potencialidade que você vê nos outros, são possíveis também para 
você. 
A beleza que você vê ao seu redor, é a sua beleza. 
O que você vê nos outros lhe mostra você mesmo. 
Veja o melhor nos outros, e você será uma pessoa melhor. 
Doe aos outros e estará doando a si mesmo. 
Aprecie a beleza, e você será belo. 
Admire a criatividade, e você será criativo. 
Ame, e você será amado. 
Procure compreender, e será compreendido. 
Ouça, e sua voz será ouvida. 
Ensine, e você aprenderá. 
Mostre ao espelho sua melhor face, e você ficará feliz com o que ele vai lhe 
mostrar. 
Autor desconhecido (http://www.florijane.com.br>Acesso 20 fev. 2005)

 "O homem é espelho para o homem, nós somos imagens para os outros. O espelho é o instrumento de uma universal magia que transforma coisas. Segundo Chevalier & Gheerbrant (1982), o espelho reflete a verdade, a sinceridade, o conteúdo do coração e da consciência. A arteterapia, quando se converte nesse espelho, nos redime e nos converte em instrumento para ajudar aos demais."Alessandra Helene Fortunato

domingo, 1 de abril de 2012

Um conto sobre a importância dos limites


"O principezinho tirano" 
Extraído do blog: http://historiasparaosmaispequeninos.wordpress.com/
Num reino longínquo, uma rainha desesperava-se por não ter filhos.
— Temos de ter um! Temos de ter um! — gemia o rei. 
— Para quem ficará este soberbo reino que me deixou o meu pai, que o recebeu do seu pai, e assim sucessivamente, até à criação do primeiro pai sobre a Terra? A quem entregarei a minha coroa, quando os meus ossos se tornarem velhos e quebradiços, quando estiver cheio de cabelos brancos e tolhido de reumatismo?

— Que quadro tão terrível da velhice me está a pintar, meu amigo! — exclamou a rainha, que também não tinha vontade nenhuma de envelhecer sem filhos. — Mas não deixa de ter razão: precisamos ter uma criança.
A rainha consultou todos os manuais e os médicos mais poderosos e mais sábios. Por fim, graças a um deles, um bebê começou a mexer-se no seu ventre e depois a crescer, tranquilamente, em lindos lençóis.

— Cuidado! — preveniu-os o médico. — Este principezinho será o vosso tesouro, mas não lhe dêem mimo demais. Não tenham pressa em fazer dele um pequeno rei. No entanto, mal o médico virou costas, a rainha pegou logo no pequeno príncipe e começou a enchê-lo de mimos.

— Tu és o meu reizinho, o meu único rei, e os teus desejos são ordens.

Esta frase não caiu em saco roto. Meteram numa redoma aquela criança infinitamente preciosa e, todas as manhãs, uma criada diplomada levava-lhe biberões de leite de burra e mel de abelhas raras. Dormia num colchão de pétalas de rosa colhidas na Abissínia às cinco horas da manhã, e em lençóis bordados a ouro. Para o servirem, uma dúzia de criadas corria de um lado para o outro e dormiam a seus pés. Estava protegido de tudo: da mais leve brisa, do menor sopro, da menor nuvem… Para o aquecerem, tinham construído um sol artificial, que não queimava a pele, mas que fornecia vitamina D. Foi assim que ele cresceu tranquilamente, em silêncio, e cheio de tirania, porque os seus desejos eram ordens e esta frase não tinha caído em saco roto. No dia em que completou sete anos, pareceu conveniente aos pais tirar aquela criança adorada da sua redoma de vidro.

— Meu pequerruchinho, agora já és grande!

— Não sou pequerruchinho nenhum. — disse o príncipe com desdém. — E se quer beijar-me, autorizo-a a que me beije os pés. É quanto basta. Depois, dirigiu-se ao pai nestes termos:

— Ó rei velhote, passa para cá a tua coroa!

O velho rei entregou-lhe a coroa sem dizer uma palavra, porque nunca havia dito “não” ao principezinho, nem quando ele tinha um dia, nem quando ele tinha três meses. Como proibi-lo então de alguma coisa aos sete anos de idade? 

E foi assim que o principezinho se transformou em rei. Um rei tirano de sete anos e alguns dias. Mandou cortar todas as árvores, porque lhe tinha caído uma ameixa na cabeça; mandou estrangular os tentilhões um a um, porque cantavam de manhã muito cedo; mandou prender a rainha sua mãe no 749º andar da mais alta das suas torres, porque ela se tinha atrevido a mandá-lo fazer os seus deveres reais. É o que por vezes acontece quando se é criado numa redoma. O pior é que, apesar dos seus caprichos, ele tinha sempre um rosto infeliz e gritava:

— Sinto-me sozinho!! Estou triste! Ninguém gosta de mim!
Quando viu aquele cortejo de disparates, uma violenta cólera apoderou-se do velho rei sem manto e sem coroa. Uma cólera que parecia um mar enraivecido.

— Anda cá, meu patife! — ralhou com voz grossa. — Que sorte a minha, ter de aturar um garoto tão mal educado! — o que era um verdadeiro rosário de palavrões para um rei tão bem educado como ele. E continuou:
— Anda cá, que vais levar um bofetão, um tabefe, uma palmada no traseiro. Ainda não apanhaste que chegasse, na tua vida!

A rainha, embora fechada no 749º andar, ouviu os gritos e desmaiou na sua torre. “Seremos condenados à morte”, pensava. “Seremos lançados do alto da torre.” Mas não foi o que aconteceu. Muito sensatamente, o pequeno rei devolveu a coroa ao pai, murmurando:

— Perdão, papá.
O velho rei recuperou a coroa, o trono e o poder. Libertou a mulher e disse-lhe:

— Quando se entrega cedo demais a coroa a um pequeno príncipe, pode-se fazer dele um tirano insuportável! Bem que o médico nos avisou, minha querida!

E a vida continuou como antes. Com um pouco mais de ordem, de civismo. Quem era o mais feliz? O principezinho. Com o pai, aprendeu a jogar ao berlinde e a rir-se com as histórias divertidas que ele contava.

— Ah! — dizia ele. — Como é bom ser criança, não pensar em nada de muito sério e passar o tempo a brincar.

(Grifos  
Bianca Panini)
Pense nisso.
 
"AMOR E LIMITES NA MESMA MEDIDA"