Blog destinado ao esclarecimento do que é arte terapia e sua aplicações em portadores de necessidades especiais,crianças,idosos. Uso da pintura,desenho,colagem,modelagem,dramatizações,poesia...
sexta-feira, 18 de abril de 2014
terça-feira, 15 de abril de 2014
Glória Pires interpreta heroína alagoana da psiquiatria em filme que será lançado este an
Ela nasceu em Maceió (1905), estudou no colégio Santíssimo
Sacramento, foi uma das primeiras mulheres a se formar em
Medicina (na Faculdade de Medicina da Bahia) e se tornou uma
das heroínas da psiquiatria brasileira ao se negar a usar tratamentos
agressivos (como o eletro-choque e a lobotomia) em pacientes com
esquizofrenia e outros distúrbios – inovando com o uso de métodos
hoje consagrados como a terapia ocupacional e o uso da arte para
seus pacientes se expressarem, assim como outros métodos alternativos
como o estímulo ao contato com animais domésticos para acalmar
seus pacientes.
"Estamos todos apaixonados por ela”, disse a atriz Glória Pires
há dois anos, quando começou a estudar a vida da alagoana para
interpretá-la no filme Nise da Silveira – A Senhora das Imagens.
“Está sendo uma maravilha, um aprendizado, um sonho".
Em entrevista para o canal Telecine (veja vídeo abaixo),
a atriz também falou da emoção de filmar no local onde
Nise trabalhou, o Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II,
hoje Instituto Municipal Nise da Silveira,
Engenho de Dentro, Rio de Janeiro.
O filme se passa entre 1942 e 1944, período em que Nise chega
ao Rio de Janeiro para trabalhar no hospital e é designada para
cuidar da área de terapia ocupacional do centro psiquiátrico da unidade,
transformando o setor. Os pacientes passam a ser tratados
como “clientes” e a participar de atividades como jardinagem,
teatro, dança e música. As chamadas oficinas de arte acabam
se tornando ferramentas eficazes e fundamentais para a melhora
significativa dos internos. “A partir desse momento,
alguns desses esquizofrênicos embotados transformaram-se
em grandes artistas. E, pela leitura que fazia dessas obras,
Nise começou a penentrar no inconsciente deles.
Este talvez tenha sido seu grande triunfo.
O filme fala disso tudo”, comentou o diretor Roberto Berlinder.
Dirigido por Roberto Berliner, o filme está em fase final de edição
e deve ser lançado ainda este ano. Além de Glória Pires no papel
principal, o elenco conta com a presença de atores como
Flavio Bauraqui, Fabrício Boliveira, Julio Adrião, Felipe Rocha
e Claudio Jaborandy.
Essa semana, a expectativa em torno do lançamento do filme
aumentou ainda mais com a exibição no Rio de Janeiro e em
São Paulo do documentário "Posfácio - Imagens do Inconsciente"
por Eduardo Escorel, montado a partir da entrevista que o cineasta
Leon Hirzman fez com a psiquiatra na década de 1980
durante as filmagens do documentário “Imagens do Inconsciente”.
Uma prova de que, quanto mais o tempo passa, o trabalho
da alagoana - que se correspondia diretamente com o psiquiatra
e psicoterapeuta suiço Carl Jung, de quem foi discípula –
ganha cada vez mais força - assim como ocorreu com a
obra do seu conterrâneo e ex-companheiro de prisão,
Graciliano Ramos, que fez questão de descrevê-la em suas
“Memórias do Cárcere”.
(Leia abaixo trecho do livro em que Graciliano descreve como foi
apresentada à alagoana selecionado por Elvia Bezerra,
coordenadora de Literatura do Instituto Moreira Salles)
"Numa passada larga, atingi o vão da janela: agarrei-me aos
varões de ferro, olhei o exterior, zonzo, sem perceber direito
por que me achava ali. Uma voz chegou-me, fraca, mas no
primeiro instante não atinei com a pessoa que falava.
Enxerguei o pátio, o vestíbulo, a escada já vista no dia anterior.
No patamar, abaixo de meu observatório, uma cortina de lona
ocultava a Praça Vermelha. Junto, à direita, além de uma grade larga,
distingui afinal uma senhora pálida e magra, de olhos fixos, arregalados.
O rosto moço revelava fadiga, aos cabelos negros misturavam-se
alguns fios grisalhos. Referiu-se a Maceió, apresentou-se:
– Nise da Silveira.
Noutro lugar o encontro me daria prazer. O que senti foi surpresa,
lamentei ver a minha conterrânea fora do mundo, longe da profissão
, do hospital, dos seus queridos loucos.
Sabia-a culta e boa, Rachel de Queiroz me afirmara a grandeza
moral daquela pessoinha tímida, sempre a esquivar-se, a reduzir-se,
como a escusar-se de tomar espaço. Nunca me havia aparecido
criatura mais simpática. O marido, também médico,
era o meu velho conhecido Mário Magalhães.
Pedi notícias dele: estava em liberdade. E calei-me,
em vivo constrangimento.
De pijama, sem sapatos, seguro à verga preta,
achei-me ridículo e vazio; certamente
causava impressão muito infeliz. Nise,
acanhada, tinha um sorriso doce, fitava-me
os bugalhos enormes, e isto me agravava a perturbação,
magnetizava-me. Balbuciou imprecisões, guardou silêncio,
, provavelmente se arrependeu de me haver convidado para
deixar-me assim confuso."
por Rodrigo Cavalcante
sábado, 29 de março de 2014
O cuidado passa pela confiança
TEXTO DE ÉRIKA PALLOTTINO
Trabalhos feitos pela minha paciente Gabi que tem distrofia amiotrófica.
"Adoro pacientes que me fazem pensar na minha vida, nas relações e na essência dos encontros humanos."
"O cuidado passa pela confiança, essencialmente, pela noção de confiança e segurança. Mas para algumas pessoas é difícil confiar no outro. Como é sofrido quando esperamos o tempo todo a conta ser cobrada e que nada nos é dado de graça. Se eu não confio no mundo e nas relações desse mundo, como eu fico? Me isolo, e na reserva, vou vivendo o que já é conhecido, familiar e seguro, porém, não exploro o mundo que aqui fora me espera, perco a chance de viver novos encontros e possibilidades. E aquilo que parecia ser ameaçador pode me surpreender e ser apaziguador e restaurador. A relação com o outro implica riscos, implica imprevisibilidades, implica emoção. Eu posso ser mais sábio e mais forte, Base Segura para você ir explorar o mundo, posso te ajudar com isso, mas você tem que querer ir e confiar. Porque lá fora muitas vezes é melhor do que aqui dentro, porque lá fora somos muitos e aqui dentro apenas solidão.
Adoro pacientes que me fazem pensar na minha vida, nas relações e na essência dos encontros humanos. Existem dores que são lindas tramas de renascimento.
É um privilégio escutar a dor e a (re)construção do outro!"
Trabalhos feitos pela minha paciente Gabi que tem distrofia amiotrófica.
"Adoro pacientes que me fazem pensar na minha vida, nas relações e na essência dos encontros humanos."
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Fazendo Arteterapia
Para meus amigos que ainda não conhecem,esta é minha página.
Passem por lá pra conhecer um pouquinho mais do meu trabalho
(Arteterapia)
=hlhttps://www.facebook.com/FazendoArteterapia?ref=hl
Passem por lá pra conhecer um pouquinho mais do meu trabalho
(Arteterapia)
=hlhttps://www.facebook.com/FazendoArteterapia?ref=hl
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Colcha de retalhos
No início, apenas retalhos,
Soltos, guardados antigos,
Tempo de separar, cortar, arrumar,
E então escolho o centro: florido.
Vou emendando um a um, cozendo,
Os pedaços vão formando um todo,
Que cresce dia após dia,
Dia após dia...
Se antes mal cabiam em minha mão,
Agora tomam o meu colo,
Aguçam meu entusiasmo,
Despertam meus sonhos.
Pacientemente engendro desenhos delicados,
Que vão se formando multicores,
Colcha de retalhos... Caprichosamente feita.
Tal como na vida:
Na construção dos momentos,
É que se aquece o amor.
Paula Baggio
Soltos, guardados antigos,
Tempo de separar, cortar, arrumar,
E então escolho o centro: florido.
Vou emendando um a um, cozendo,
Os pedaços vão formando um todo,
Que cresce dia após dia,
Dia após dia...
Se antes mal cabiam em minha mão,
Agora tomam o meu colo,
Aguçam meu entusiasmo,
Despertam meus sonhos.
Pacientemente engendro desenhos delicados,
Que vão se formando multicores,
Colcha de retalhos... Caprichosamente feita.
Tal como na vida:
Na construção dos momentos,
É que se aquece o amor.
Paula Baggio
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
A arteterapia permite que as pessoas representem visualmente os seus sentimentos, o que pode auxiliá-las a encará-los e trabalhar com eles.
No trabalho de arteterapia, quando a pessoa começa a mexer com materiais de arte,
ela vai se deliciando com a fluidez de uma cor lentamente se misturando com a outra, com as formas que as pressões de seus dedos vão criando na argila... esses efeitos a
vão fascinando, banhando-a internamente e, sem que se dê conta, vai acalmando o seu
ritmo interno, entrando em outra sintonia... E, nesse sentido, o trabalho com arte é uma
meditação ativa.”
Selma Ciorna
Oferecendo um ambiente acolhedor, a arteterapia pode ajudar a ancorar as pessoas às suas realidades, enfatizando o momento presente.
ela vai se deliciando com a fluidez de uma cor lentamente se misturando com a outra, com as formas que as pressões de seus dedos vão criando na argila... esses efeitos a
vão fascinando, banhando-a internamente e, sem que se dê conta, vai acalmando o seu
ritmo interno, entrando em outra sintonia... E, nesse sentido, o trabalho com arte é uma
meditação ativa.”
Selma Ciorna
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
domingo, 3 de novembro de 2013
As crianças e os seus segredos
Trabalhar com emoções e sentimentos da arte-terapia ainda é pouco comum nas escolas. Técnicos realçam potencialidades do método para identificar problemas.
Sara R. Oliveira
O lápis e o papel branco. A arte-terapeuta Mônica Mariano começa com o material mais familiar para se dar a conhecer ao grupo de seis crianças do 2.º e 3.º anos de escolaridade do 1.º ciclo do Ensino Básico. Os mais pequenos desenham e são estimulados a falar do que lhes vai na alma. Do papel para o barro, do barro para pinturas em papel cenário. Constroem-se casas em cartão, usam-se aguarelas para controlar as tintas mais líquidas. Há berlindes colocados na folha no momento do desenho para que se lide com a frustração de não se conseguir pintar o que se quer. Neste momento, a arte-terapeuta trabalha com marionetas numa das EB1 de Loulé, no Algarve. Mônica Mariano está a realizar o estágio do curso de arte-terapia. Pediu à escola de Loulé que indicasse quais os alunos que tinham problemas ao nível da aprendizagem e do comportamento. Entrevistou as crianças e os pais e selecionou o grupo com o qual trabalha algumas horas por semana.
É preciso ajustar o método, escolher a arte mais adequada ao grupo. Mônica Mariano adianta que o que se passa dentro das quatro paredes da sala é guardado convenientemente. A arte-terapeuta não entra em grandes pormenores com os pais ou encarregados de educação. Aos professores vai perguntando se há ou não progressos. "Não entro em muitos pormenores. A criança está, de alguma forma, a entregar alguns segredos", explica. "Não vou muito ao detalhe porque a criança precisa dessa confiança", acrescenta. Trabalham-se emoções escondidas, sentimentos guardados que se exteriorizam através dos materiais que são colocados nas mãos. "As crianças podem pintar de outra forma, fazer outra coisa, sem ter de falar das emoções." No fundo, salienta, "trabalha-se mais a criança na sua espontaneidade". Para Mônica Mariano, "a arte-terapia funciona muito bem nas escolas, até em termos de adolescentes porque é um momento que têm para se exprimir, para falar dos seus problemas de uma forma mais livre, não estando restringidos às regras da escola". "É uma forma fantástica de falar das emoções e dos sentimentos", conclui.
Cristina Cruz é arte-psicoterapeuta há seis anos. Exerce psicologia e arte-terapia na EB 2,3 dos Louros na Madeira. Trabalha com alunos dos 10 aos 17 anos, do ensino regular e que frequentam cursos de Educação Formação. Uma sessão de arte-terapia tem três fases. "A primeira de acolhimento das crianças ou dos adolescentes (como foi a semana, acontecimentos especiais de algum aluno); a fase de desenvolvimento onde cada participante expõe as suas angústias de forma expressiva (pintura, escrita criativa, tabuleiro areia, dramatização, colagens), onde depois vamos explorar os sentimentos e emoções de cada um; a fase do encerramento, na qual tentamos conter e sustentar tudo o que se passou na sessão para todos se sentirem acolhidos."
Cristina Cruz considera que a arte-terapia pode ser desenvolvida em qualquer faixa etária. E há frutos que vão sendo colhidos. "O desenvolvimento da criatividade nas crianças e adolescentes proporciona-lhes uma integração diferente da sua forma de percepcionar o meio que os rodeia. De tal forma, que os mediadores da arte-terapia criam um leque de abertura para o próprio self", realça. Na sua perspetiva, há escolas que resistem a abrir a porta a essas experiências. "Penso que nem todas as escolas estão receptivas para esta intervenção. Na escola em que trabalho há uma grande receptividade para a mudança, logo tudo o que surge de novo, e que tenha resultados positivos, é bastante aceite", refere.
Irene Monteiro é psicóloga e está a terminar a formação de arte-terapia. Neste momento, trabalha com um grupo de vítimas de violência doméstica num projeto social. A técnica reconhece que a prática é relativamente nova e que, regra geral, ainda não faz parte de um projeto educativo alternativo. "A arte-terapia pode ser muito útil em contexto escolar porque pode trabalhar com uma população de crianças de risco, em risco de abandono escolar, com dificuldades de aprendizagem, com necessidades educativas especiais." "A intervenção da arte-terapia tem um carácter de tratamento quando há uma problemática instalada. A componente de integração é muito útil", afirma.
Irene Monteiro realça o que a metodologia em que a terapia dá as mãos à arte "trabalha muito de afetos, trabalha questões do foro emocional". "Nas necessidades educativas especiais, a intervenção é muito centrada nos défices cognitivos e a parte emocional, relacional, fica de fora", sublinha. "Na arte-terapia cabem muitas atividades, o que a diferencia é depois o que é feito sobre essas atividades. O arte-terapeuta não é alguém que diz à criança para fazer assim ou de forma diferente, que lhe diz que está bem ou que está mal", acrescenta.
O psicólogo Hugo Cruz usa a arte para trabalhar com alguns alunos recorrendo ao teatro-fórum. A partir de uma peça de teatro, os alunos podem trocar de papéis para mudarem o rumo da história, para tentar resolver problemas identificados na representação. Usa a arte e não a terapia numa lógica, explica, "mais preventiva e educativa e não tanto remediativa". A violência doméstica é o tema que tem percorrido vários estabelecimentos de ensino do concelho de Santa Maria da Feira, onde Hugo Cruz coordena o projeto municipal Direitos & Desafios. O psicólogo afirma que a arte-terapia faz todo o sentido nas escolas. "Pode ser um excelente instrumento para exteriorizar emoções relacionadas com as vivências na escola." "O facto de se ter uma má nota tem uma carga emocional e uma implicação muito fortes", alerta.
A arte-terapia ainda é pouco utilizada nas escolas portuguesas. Esta relação particular entre o sujeito, o objeto de arte e o terapeuta não consta nos planos curriculares. A metodologia é bastante abrangente, uma vez que recorre a diversas componentes artísticas como pintura, desenho, jogos, marionetas, música, expressão corporal, poesia, escrita livre e criativa, colagens, modelagens. Tudo o que estiver ao alcance para abordar emoções e sentimentos. O objeto de arte serve sobretudo para mediar as expressões.
Nas contas feitas pela Sociedade Portuguesa de Arte-Terapia (SPAT) há, neste momento, oito estabelecimentos de ensino a recorrerem a esta prática. "Temos vários membros a atuar em contexto escolar. No Porto, na Grande Lisboa, no Algarve, na Madeira, com grupos diversos em termos de idade, classe social, problemática, etc. A recepção desse tipo de intervenção costuma ser muito boa. Não é mais solicitada por desconhecimento por parte dos profissionais de educação", adianta Daniela Martins, da SPAT. A responsável defende que a arte-terapia deve ser usada em contexto escolar, abrangendo todas as faixas etárias. "As situações podem ser diversas, dependendo do objetivo do trabalho: apoio à aprendizagem, comportamento, desenvolvimento criativo e pessoal, apoio à educação especial, apoio ao desenvolvimento motor, problemáticas específicas do foro psiquiátrico, etc."
No caso concreto das necessidades educativas especiais, Daniela Martins realça que o método pode trazer vantagens ao nível do "apoio ao desenvolvimento cognitivo/motor, apoio à aprendizagem, criação de um espaço de confiança para liberação da dor, facilitar a espontaneidade, trabalhar questões relativas à eventual exclusão social, estimulação sensorial". "A arte-terapia costuma ser muito bem recebida nas escolas, com a utilização das mais variadas técnicas: expressão plástica, musical, dramática, corporal".
É preciso ajustar o método, escolher a arte mais adequada ao grupo. Mônica Mariano adianta que o que se passa dentro das quatro paredes da sala é guardado convenientemente. A arte-terapeuta não entra em grandes pormenores com os pais ou encarregados de educação. Aos professores vai perguntando se há ou não progressos. "Não entro em muitos pormenores. A criança está, de alguma forma, a entregar alguns segredos", explica. "Não vou muito ao detalhe porque a criança precisa dessa confiança", acrescenta. Trabalham-se emoções escondidas, sentimentos guardados que se exteriorizam através dos materiais que são colocados nas mãos. "As crianças podem pintar de outra forma, fazer outra coisa, sem ter de falar das emoções." No fundo, salienta, "trabalha-se mais a criança na sua espontaneidade". Para Mônica Mariano, "a arte-terapia funciona muito bem nas escolas, até em termos de adolescentes porque é um momento que têm para se exprimir, para falar dos seus problemas de uma forma mais livre, não estando restringidos às regras da escola". "É uma forma fantástica de falar das emoções e dos sentimentos", conclui.
Cristina Cruz é arte-psicoterapeuta há seis anos. Exerce psicologia e arte-terapia na EB 2,3 dos Louros na Madeira. Trabalha com alunos dos 10 aos 17 anos, do ensino regular e que frequentam cursos de Educação Formação. Uma sessão de arte-terapia tem três fases. "A primeira de acolhimento das crianças ou dos adolescentes (como foi a semana, acontecimentos especiais de algum aluno); a fase de desenvolvimento onde cada participante expõe as suas angústias de forma expressiva (pintura, escrita criativa, tabuleiro areia, dramatização, colagens), onde depois vamos explorar os sentimentos e emoções de cada um; a fase do encerramento, na qual tentamos conter e sustentar tudo o que se passou na sessão para todos se sentirem acolhidos."
Cristina Cruz considera que a arte-terapia pode ser desenvolvida em qualquer faixa etária. E há frutos que vão sendo colhidos. "O desenvolvimento da criatividade nas crianças e adolescentes proporciona-lhes uma integração diferente da sua forma de percepcionar o meio que os rodeia. De tal forma, que os mediadores da arte-terapia criam um leque de abertura para o próprio self", realça. Na sua perspetiva, há escolas que resistem a abrir a porta a essas experiências. "Penso que nem todas as escolas estão receptivas para esta intervenção. Na escola em que trabalho há uma grande receptividade para a mudança, logo tudo o que surge de novo, e que tenha resultados positivos, é bastante aceite", refere.
Irene Monteiro é psicóloga e está a terminar a formação de arte-terapia. Neste momento, trabalha com um grupo de vítimas de violência doméstica num projeto social. A técnica reconhece que a prática é relativamente nova e que, regra geral, ainda não faz parte de um projeto educativo alternativo. "A arte-terapia pode ser muito útil em contexto escolar porque pode trabalhar com uma população de crianças de risco, em risco de abandono escolar, com dificuldades de aprendizagem, com necessidades educativas especiais." "A intervenção da arte-terapia tem um carácter de tratamento quando há uma problemática instalada. A componente de integração é muito útil", afirma.
Irene Monteiro realça o que a metodologia em que a terapia dá as mãos à arte "trabalha muito de afetos, trabalha questões do foro emocional". "Nas necessidades educativas especiais, a intervenção é muito centrada nos défices cognitivos e a parte emocional, relacional, fica de fora", sublinha. "Na arte-terapia cabem muitas atividades, o que a diferencia é depois o que é feito sobre essas atividades. O arte-terapeuta não é alguém que diz à criança para fazer assim ou de forma diferente, que lhe diz que está bem ou que está mal", acrescenta.
O psicólogo Hugo Cruz usa a arte para trabalhar com alguns alunos recorrendo ao teatro-fórum. A partir de uma peça de teatro, os alunos podem trocar de papéis para mudarem o rumo da história, para tentar resolver problemas identificados na representação. Usa a arte e não a terapia numa lógica, explica, "mais preventiva e educativa e não tanto remediativa". A violência doméstica é o tema que tem percorrido vários estabelecimentos de ensino do concelho de Santa Maria da Feira, onde Hugo Cruz coordena o projeto municipal Direitos & Desafios. O psicólogo afirma que a arte-terapia faz todo o sentido nas escolas. "Pode ser um excelente instrumento para exteriorizar emoções relacionadas com as vivências na escola." "O facto de se ter uma má nota tem uma carga emocional e uma implicação muito fortes", alerta.
A arte-terapia ainda é pouco utilizada nas escolas portuguesas. Esta relação particular entre o sujeito, o objeto de arte e o terapeuta não consta nos planos curriculares. A metodologia é bastante abrangente, uma vez que recorre a diversas componentes artísticas como pintura, desenho, jogos, marionetas, música, expressão corporal, poesia, escrita livre e criativa, colagens, modelagens. Tudo o que estiver ao alcance para abordar emoções e sentimentos. O objeto de arte serve sobretudo para mediar as expressões.
Nas contas feitas pela Sociedade Portuguesa de Arte-Terapia (SPAT) há, neste momento, oito estabelecimentos de ensino a recorrerem a esta prática. "Temos vários membros a atuar em contexto escolar. No Porto, na Grande Lisboa, no Algarve, na Madeira, com grupos diversos em termos de idade, classe social, problemática, etc. A recepção desse tipo de intervenção costuma ser muito boa. Não é mais solicitada por desconhecimento por parte dos profissionais de educação", adianta Daniela Martins, da SPAT. A responsável defende que a arte-terapia deve ser usada em contexto escolar, abrangendo todas as faixas etárias. "As situações podem ser diversas, dependendo do objetivo do trabalho: apoio à aprendizagem, comportamento, desenvolvimento criativo e pessoal, apoio à educação especial, apoio ao desenvolvimento motor, problemáticas específicas do foro psiquiátrico, etc."
No caso concreto das necessidades educativas especiais, Daniela Martins realça que o método pode trazer vantagens ao nível do "apoio ao desenvolvimento cognitivo/motor, apoio à aprendizagem, criação de um espaço de confiança para liberação da dor, facilitar a espontaneidade, trabalhar questões relativas à eventual exclusão social, estimulação sensorial". "A arte-terapia costuma ser muito bem recebida nas escolas, com a utilização das mais variadas técnicas: expressão plástica, musical, dramática, corporal".
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Recebo sempre atualizações sobre livro abordando o tema da arte terapia,então resolvi compartilhar com vocês. Alguns já li,outros ainda não....
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