sexta-feira, 25 de março de 2011

Autismo: Manual para as famílias

“INFORMAÇÕES E RECOMENDAÇÕES PARA PAIS COM FILHOS

COM AUTISMO, EM ESPECIAL OS RECÉM DIAGNOSTICADOS.”

A Autismo & Realidade foi autorizada pela Autism Speaks a traduzir e adaptar esse “Autismo: Manual para as Famílias” e publicá-lo no nosso site. Da mesma maneira que a versão original, afirmamos que esse manual traz informações gerais sobre autismo que consideramos necessárias e especialmente úteis para as famílias cujos filhos foram diagnosticados recentemente. Apesar do documento da Autism Speaks ter passado pelo crivo de profissionais altamente qualificados e pais, e de nessa edição brasileira termos tomado o cuidado de checar as informações acrescentadas e as adaptações à nossa realidade, recomendamos que você sempre use seus próprios critérios e verifique pessoalmente cada um dos serviços e instituições listados. O Site da Autism Speaks (www.autismspeaks.org) traz muitas informações confiáveis e atualizadas sobre autismo em inglês e espanhol.

Clique na imagem abaixo para visualizar o documento Autismo: Manual para as Famílias.

Se preferir salvar uma cópia em PDF no seu computador, clique aqui Autismo: Manual para as Famílias.

terça-feira, 22 de março de 2011

A complicada arte de ver - Por Rubem Alves

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto." Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver". Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física. Ilustração: Airon BarretoWilliam Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo. Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção". A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo. Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas". Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...

O texto acima foi extraído da seção "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004.

sábado, 19 de março de 2011

Meme literário -Eloisa

Bom,fui indicada pelas amigas Samanta e Mary Miranda para Participar do meme literário.
Selecionei algumas obras que aprecio.
Espero que gostem
Então vamos lá.
1- Existe um livro que você leria várias vezes
sem se cansar? Qual?

O amor que acende a lua- Rubem Alves

Este livro é uma coletânea de

crônicas do autor cujo tema principal é o amor.

Se você pudesse escolher apenas um livro para l

er o resto da sua vida, qual seria?

Bom esta é uma pergunta muito complicada.Cada época a gente se interessa por um tema.

Se só tivesse mesmo esta opção leria a Bíblia.

E Coragem-Chico Xavier

Indique três dos seus livros preferidos:

* O nó e o laço- Alfredo Simonetti

Nó' é o nome que damos às crises e às dificuldades naturais das uniões amorosas - brigas, medo de não sermos amados, ciúme, tédio, falta de liberdade, questões sexuais, fidelidade, problemas financeiros. Neste livro, o psiquiatra Alfredo Simonetti nos sugere como transformar 'nós' em 'laços' amorosos e duradouros.

* Quando Nietche Chorou-Irvim Yaalon

Este livro tem como pano de fundo o fermento intelectual da Viena do século XIX às vésperas do nascimento da psicanálise. Friedrich Nietzsche, Josef Breuer, um pacto secreto, um jovem médico interno de hospital chamado Sigmund Freud - esses elementos se combinam para criar a saga de um relacionamento imaginário entre um paciente e um terapeuta talentoso. Na abertura deste romance, a Lou Salomé roga a Breuer que ajude a tratar o desespero suicida de Nietzsche mediante sua experimental terapia através da conversa. Ao aceitar relutante a tarefa, o eminente médico realiza uma grande

descoberta - somente encarando seus próprios demônios internos poderá começar a ajudar seu paciente. Assim, dois homens mergulham nas profundezas de suas próprias obsessões românticas e descobrem o poder redentor da amizade

.

*Nesta Jornada que chamamos vida-James Hollis

É bem conhecido o pensamento que vale mais ensinar um faminto a pescar do que apenas lhe dar um peixe, pois assim, quando sentir fome, ele mesmo poderá providenciar seu alimento. Nós apreciamos um jantar bem preparado entre amigos, em ambiente confortável e envolvente. Mas isso é uma exceção, uma celebração. No dia-a-dia, só com trabalho e esforço conseguimos nos alimentar e adquirir independência, desenvolvendo nosso próprio caminho. Ao longo dos anos, James Hollis tem oferecido nos generosos banquetes, muitas vezes, alimentos com os quais não estamos acostumados; porém crescemos apreciando o sabor de seus alimentos, que combinam de forma inédita o doce e o amago. Dessa vez nos é oferecido algo diferente - é mais um trabalho em grupo do que uma refeição preparada. É este o Hollis que compartilha nosso barco, navegando questões sem os mapas que usamos. Ele reconhece a unicidade e o valor de cada jornada, partilhando experiências pessoais apenas para que possamos encontrar nossa própria compreensão. Este não é um livro de verdade reveladas. Mais do que isso, dedica-se as questões guiadas apenas pela intuição, persistência e energia que, tomara, cada um de nós tenhamos.

*Presente do Mar-Anne Morrow Lindberg

Neste livro o pensamento da escritora Anne Morrow Lindbergh se desenvolve a partir de impressões colhidas à beira-mar, numa ilha - longe de pessoas, coisas, deveres e obrigações. A autora reflete sobre a essência humana e trata de temas como - envelhecimento, amor, casamento, paz, solidão, despojamento e felicidade.

A do meme é passar para 10 blogs Uma observação:
SÓ PARTICIPE QUEM QUISER!!!!
Meus indicados são:
*http://www.edupirollo.blogspot.com/
Luis Eduardo Pirolho
*http://josefontedesantaana.blogspot.com/
José Fonte de Santa Ana
*http://www.homeofficelully.blogspot.com/
Luciane Nascimento
*http://marimartinsatemporal.blogspot.com/
Marinese Martins
*http://belani-rcontosecomentarios.blogspot.com/
Fátima Zanin
*http://www.aldo-cioffi.blogspot.com/
Aldo Cioffi
*http://blog.inspiraalma.com.br/
Vera Luz
*http://drauziomilagres.blogspot.com/
Drauzio Milagres
*http://luandabela.blogspot.com/
Kaoma Sorley
Lia

segunda-feira, 14 de março de 2011

Arco-Íris

No mundo encontramos, durante nossa existência, com muitas pessoas, conhecemos a dor, a alegria, a tristeza, a felicidade... Enfim inúmeros sentimentos e, na maioria das vezes, estes são relacionados a pessoas e suas atitudes ou comportamentos. Nossa vida é um constante arco-íris e suas cores simbolizam cada momento que vivemos e passamos. Nem sempre a amplidão do azul é constante, porém nossos olhos nunca deixam de enxergar o verde da esperança e o amarelo do sol, porque o calor e o brilho partem do interior de pessoas que exalam sua pureza e bondade onde quer que estejam, onde quer que andem. Nunca deixe que essa luz se apague, pois a mesma ainda percorrerá grandes caminhos de muitas alegrias e felicidades... (Renata Mello de Carvalho)

sábado, 12 de março de 2011

Dicas de livros -Arte Terapia

Recebo sempre atualizações sobre livro abordando o tema da arte terapia,então resolvi compartilhar com vocês.
Alguns já li,outros ainda não.
Vale conferir.
Boa leitura.
A autora é competente psicóloga e professora universitária, especializada no pensamento de Jung que serve de eixo epistemológico para sua pesquisa e ajuda em suas conclusões. Este livro amplia os horizontes da pesquisa fundamentada na prática psicológica em relação a questões de dinâmica social, de atitudes éticas, estéticas e religiosas e torna-se instrumento valioso para os que trabalham na área da saúde mental e da religião. A leitura é agradável, o estilo, fluente, e as idéias, provocadoras.
O livro narra, de forma clara e bem-pontuada, o processo vivenciado por mulheres maduras em um trabalho de ateliê terapêutico. Relata com sabedoria aspectos do envelhescente, apontando seus caminhos e descobertas, em um tempo de novos velhos desafios.
Este livro é fruto de uma elaboração profissional advinda de observações realizadas no decorrer de 15 anos de trabalho em psicologia. Esse nos convida didaticamente a compartilhar e apresentar novas possibilidades de escuta corporal para uma aceitação amorosa total e irrestrita de si mesmo. A aceitação das histórias que o seu corpo tem para contar. Escutar o que ele diz não para julgar, mas para observar as manifestações do corpo em seus aspectos fisiológicos, psicológicos, simbólicos. Por meio de diversas técnicas expressivas coligadas ao trabalho corporal, muitas delas prazerosas, relaxantes e artísticas, a autora vai mostrando ao leitor, passo-a-passo, como ouvir a história que seu próprio corpo narra. A técnica da calatonia é descrita no DVD que acompanha o livro.
Trata-se de uma abordagem ampla dos novos paradigmas em saúde mental e da ampliação do papel dos profissionais da arteterapia e da terapia expressiva inseridos nesse novo contexto. Partindo do contexto histórico em relação à reabilitação psicossocial das pessoas que sofrem de transtorno mental, este livro traz os fundamentos teóricos que sustentam a prática arteterapeuta e outros tipos de terapias expressivas vivenciadas por diferentes profissionais.
O autor é um estudioso das áreas de psicologia e de arte. Sintonizado com as questões da interdisciplinaridade e da transdisciplinaridade discute a tarefa de integrar teoria e poética, conhecimento e emoção, ciência e arte, o sentir-pensar-fazer próprio com o dos outros. Discute abrangências e limitações do que é e do que não é arteterapia, do que pode vir a ser ou não este campo em desenvolvimento de teorias e práticas, no qual seriedade, dedicação e ética se impõem como pontos nodais.
Estas e outras publicações você encontra para comprar em http://www.psitestes.com.br/index.php?cPath=90_93&osCsid=bf11a2346852295042e7e2e80bc8e25f confiram.

quinta-feira, 3 de março de 2011

ARTETERAPIA COM CRIANÇAS

Mais um excelente artigo da Henrilene Acedo
Parabéns pelos excelentes artigos.
Obrigada por me permitir compartilhar aqui.
Abraços.
Confiram o blog:
Henrilene Acedo Arteterapeuta/Psicopedagoga/Artista Plástica Travessa da República, 20 - centro – Bragança Paulista www.atelieartebrasil.hotmail.com www.atelieartebrasil.blogspot.com 4032-5135 / 9980-5884 / 9463-3652
http://novohamburgo.org/colunistas/fazendoarte/img/fazendo02-1304.jpg
ARTETERAPIA COM CRIANÇAS
Bragança Paulista

Desde as primeiras manifestações da vida humana, utilizamos desenhos para representar nossas intenções e emoções. A arte está presente, também, em todo processo educativo. Através da arteterapia, este trabalho ganha sentido, preservando a liberdade do aluno, dando oportunidade para que ele possa se expressar. Assim, podemos verificar a importância de se trabalhar a imagem na arteterapia com crianças e adolescentes, pois uma imagem traz consigo um rico mundo de significações, que muitas vezes não conseguem expressar pela fala. Durante um trabalho com arteterapia, as imagens (inconscientes) podem ser um instrumento eficaz para orientar todo o indivíduo, elas ocupam um lugar muito importante. Ao propor um trabalho arteterapêutico com alunos, é necessário buscar o auxilio com amparos técnicos, para liberar suas angustias que se manifestam a partir de seus comportamentos e atitudes.

Temos como objetivos principais na aplicação da arteterapia com crianças, resgatar o potencial

criativo e imaginativo da criança, aumentando sua integração e socialização através da arte e do lúdico.

Proporcionar à criança, através da arte, o direito de dizer a sua palavra, traçar o seu desenho, descobrindo o prazer e a importância da sua criação.

Despertar a expressão de seus desejos e conflitos, aliviando o estresse e a ansiedade, controlando a agressividade.

Desenvolver a atenção, concentração, organização e flexibilidade, fundamentais para um crescimento sadio.

Aumentar a auto-estima, confiança, alegria, bem estar, disposição e prazer de viver, e assim, alcançar um estado de equilíbrio integral.

Segundo Vanessa Coutinho,

”A arte é uma atividade não competitiva. É assim que deve ser vivenciada pelas crianças.

Não há o mais bonito ou o mais feio, o certo ou o errado.” (...)

“Educamos para a convivência, e não para o isolamento.

Educamos para a cooperação, e não para a disputa.

Educamos pelo prazer, e não pela desvalorização de si mesmo na comparação com os outros. ”(...)

“Trabalhar com emoções e sentimentos da arteterapia ainda é pouco comum nas escolas.”

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Por que será que ando tão irritado? De onde vem tamanho desânimo?

A expressão artística é um caminho saudável para entrar em contato com suas emoções. Por Maria Helena Pugliesi
Por que será que ando tão irritado? De onde vem tamanho desânimo? Onde foram parar a paciência e a compreensão que eu tinha quando era mais jovem? Saiba que respostas para essas inquietações podem surgir durante sessões de aquarela, de cerâmica ou de marcenaria, entre outras práticas manuais. Pelo menos é o que apregoa a arteterapia, uma ciência que tem raízes nos argumentos sólidos dos mestres da psicanálise Freud e Jung, bem como de Rudolf Steiner, fundador da Antroposofia, e Von Ehrenfels, filósofo vienense precursor da psicologia da gestalt. Todos eles, já no final do século 19 e início do 20 enfatizavam a importância da expressão artística como um caminho saudável para o individuo tomar contato com suas emoções, dificuldades e limitações. “A arteterapia trabalha e transforma nosso estado de espírito de maneira consciente e ativa. Ela possibilita também a descoberta de novas habilidades e capacidades, bem como o desenvolvimento da sensibilidade e de um pensar mais claro, de forma a poder ter uma relação harmoniosa consigo e com o mundo”, explica Dulcinéia Pimentel de Oliveira Montico, coordenadora de arteterapia antroposófica do Espaço Sofia, em São Paulo. A escolha do material a ser trabalhado geralmente é feita pelo arteterapeuta, que, após avaliar as necessidades e queixas da pessoa, propõe exercícios e atividades especificas que possam ter uma atuação mais fecunda para as situações apresentadas. “Embora exista um consenso na resposta de vários materiais, é fundamental saber que se trata de relações particulares e únicas, onde cada um se expressará à sua maneira frente as cores, formas e texturas”, lembra a doutora em arte Tatiana Fecchio C. Gonçalves, responsável pelo Curso de Especialização em Arteterapia da Universidade São Marcos. Hoje, muitas escolas de arte incorporaram em seu quadro de professores profissionais com formação em arteterapia, justamente para desenvolver um trabalho mais alinhado com fundamentos da psicologia ou da antroposofia. No entanto, nada impede de praticar essas técnicas em ateliês. “Tenho alunos que vêm aqui por recomendação de seu terapeuta. Modelar a argila ajuda, entre outras coisas, a lidar com a ansiedade e perdas. Afinal, aquela peça que demorou um tempão para ser feita pode não corresponder às expectativas depois de queimada”, arremata a ceramista Nil Rocha, que mantém ateliê nas cidades de Souzas e Campinas, interior de São Paulo. Outra atividade que tem chamado a atenção de quem procura desestressar é a marcenaria. “O trabalho de serrar, lixar, cavoucar a madeira ajuda a lidar com questões sociais. A marcenaria nos permite treinar capacidades anímicas, como a flexibilidade e a paciência, fundamentais no trato com as pessoas”, constata a terapeuta social antroposófica Bettina Irene Happ Dietrich. O professor e marceneiro Piero Calò, que mantém um curso livre de marcenaria na escola Cose di Legno, em São Paulo, enfatiza também o lado lúdico do oficio: “Tenho alunos que há 14 anos freqüentam minhas aulas só para espairecer. São diretores de empresa que buscam um ambiente mais informal, bem diferente do seu dia-a-dia”. Na realidade, qualquer atividade feita com prazer gera resultados intelectuais e comportamentais positivos. “Por isso, nenhum desses cursos têm contra-indicação. No entanto, quando se trata de problemas mais sérios, em que o indivíduo tem grandes questionamentos, o trabalho deve ser necessariamente acompanhado por arteterapeuta. Não se pode esquecer que a arte é um canal aberto para as emoções e, em casos clínicos graves, lidar com essa manifestação pode agravar o quadro, em vez de melhorá-lo”, diz Maria Alice do Val Barcellos, professora de arteterapia do curso profissionalizante do Instituo Sedes Sapientiae.
Desenho: o traço gráfico, seja feito com giz, lápis, carvão, nanquim, caneta ou grafite, impõe na superfície (papel, parede, etc…) uma linha, cria um limiar entre seus lados, enfim, trabalha com um limite. No entanto, a textura, espessura, ritmo e duração do traço dinamiza a criação. Prática interessante para quem sente dificuldade em impor limites para si e para com os outros.
Pintura: a técnica apresenta desafios, como o preparo das tintas e seu manuseio com os pincéis, a ocupação dos planos a serem preenchidos, bem como as passagens de cores e contrastes. Para obter resultado, mente e corpo devem necessariamente trabalhar juntos. Exercício valoroso para aqueles que precisam lidar no dia-a-dia com decisões rápidas.
Cerâmica: a lida com argila e outras massas de modelar oferece um universo rico em simbologia. A maleabilidade do material remete a importância da flexibilidade na vida. Há ainda a questão da temperatura da massa: sempre fria a princípio, mas que se aquece com o calor das mãos. A queima das peças também ensina a conviver com a expectativa do desconhecido e a aceitar fatos que independem de nossa vontade.
Colagem: a atividade é considerada pelos arteterapeutas como uma importante possibilidade mobilizadora de conteúdos internos. Agregar partes separadas, reorganizar pedaços desconexos, rearranjar os fragmentos (recortes de papel, sementes, cacos de vidro, etc…) estimula a criatividade e alerta para novas possibilidades.
Marionete e fantoche: a construção de personagens é uma ferramenta importante para o autoconhecimento. Trejeitos, posturas e outras características do boneco idealizado pode ajudar seu criador a entrar em contato com aspectos muitas vezes pouco conhecidos de sua personalidade. A atividade feita em grupo propicia horas divertidas e reveladoras.
Marcenaria: cada um dos passos deste artesanato está imbuído de aspectos importantes para nosso comportamento. Ao serrar, por exemplo, lidamos com a retidão; já ao limar, aguçamos nossa fluidez, uma vez que é preciso trabalhar com as duas mãos ao mesmo tempo. Tudo isso requer paciência e respeito às etapas do trabalho.
Fonte: http://bonsfluidos.abril.uol.com.br/livre/edicoes/0118/14/01.shtml

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