sábado, 29 de março de 2014

O cuidado passa pela confiança

TEXTO DE ÉRIKA PALLOTTINO 
"O cuidado passa pela confiança, essencialmente, pela noção de confiança e segurança. Mas para algumas pessoas é difícil confiar no outro. Como é sofrido quando esperamos o tempo todo a conta ser cobrada e que nada nos é dado de graça. Se eu não confio no mundo e nas relações desse mundo, como eu fico? Me isolo, e na reserva, vou vivendo o que já é conhecido, familiar e seguro, porém, não exploro o mundo que aqui fora me espera, perco a chance de viver novos encontros e possibilidades. E aquilo que parecia ser ameaçador pode me surpreender e ser apaziguador e restaurador. A relação com o outro implica riscos, implica imprevisibilidades, implica emoção. Eu posso ser mais sábio e mais forte, Base Segura para você ir explorar o mundo, posso te ajudar com isso, mas você tem que querer ir e confiar. Porque lá fora muitas vezes é melhor do que aqui dentro, porque lá fora somos muitos e aqui dentro apenas solidão.

Adoro pacientes que me fazem pensar na minha vida, nas relações e na essência dos encontros humanos. Existem dores que são lindas tramas de renascimento.
É um privilégio escutar a dor e a (re)construção do outro!"


Trabalhos feitos pela minha paciente Gabi que tem distrofia amiotrófica.
"Adoro pacientes que me fazem pensar na minha vida, nas relações e na essência dos encontros humanos."





quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Fazendo Arteterapia

Para meus amigos que ainda não conhecem,esta é minha página.
Passem por lá pra conhecer um pouquinho mais do meu trabalho 
(Arteterapia)


=hlhttps://www.facebook.com/FazendoArteterapia?ref=hl



domingo, 2 de fevereiro de 2014

Colcha de retalhos

No início, apenas retalhos,
Soltos, guardados antigos,
Tempo de separar, cortar, arrumar,
E então escolho o centro: florido.
Vou emendando um a um, cozendo,

Os pedaços vão formando um todo,
Que cresce dia após dia,
Dia após dia...

Se antes mal cabiam em minha mão,
Agora tomam o meu colo,
Aguçam meu entusiasmo,
Despertam meus sonhos.

Pacientemente engendro desenhos delicados,
Que vão se formando multicores, 
Colcha de retalhos... Caprichosamente feita.

Tal como na vida: 
Na construção dos momentos,
É que se aquece o amor.



Paula Baggio

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A arteterapia permite que as pessoas representem visualmente os seus sentimentos, o que pode auxiliá-las a encará-los e trabalhar com eles.
Oferecendo um ambiente acolhedor, a arteterapia pode ajudar a ancorar as pessoas às suas realidades, enfatizando o momento presente.

No trabalho de arteterapia, quando a pessoa começa a mexer com materiais de arte, 
ela vai se deliciando com a fluidez de uma cor lentamente se misturando com a outra, com as formas que as pressões de seus dedos vão criando na argila... esses efeitos a 
vão fascinando, banhando-a internamente e, sem que se dê conta, vai acalmando o seu 
ritmo interno, entrando em outra sintonia... E, nesse sentido, o trabalho com arte é uma 
meditação ativa.”
Selma Ciorna

terça-feira, 14 de janeiro de 2014


"O verdadeiro valor de um homem não pode ser encontrado nele mesmo, mas nas cores e texturas que faz surgir nos outros."
(Albert Schweitzer).

"Dentro de cada um de nós há um outro que não conhecemos. Ele fala conosco por meio dos sonhos." (Carl Gustav Jung).

domingo, 3 de novembro de 2013

As crianças e os seus segredos

Trabalhar com emoções e sentimentos da arte-terapia ainda é pouco comum nas escolas. Técnicos realçam potencialidades do método para identificar problemas.

Sara R. Oliveira
O lápis e o papel branco. A arte-terapeuta Mônica Mariano começa com o material mais familiar para se dar a conhecer ao grupo de seis crianças do 2.º e 3.º anos de escolaridade do 1.º ciclo do Ensino Básico. Os mais pequenos desenham e são estimulados a falar do que lhes vai na alma. Do papel para o barro, do barro para pinturas em papel cenário. Constroem-se casas em cartão, usam-se aguarelas para controlar as tintas mais líquidas. Há berlindes colocados na folha no momento do desenho para que se lide com a frustração de não se conseguir pintar o que se quer. Neste momento, a arte-terapeuta trabalha com marionetas numa das EB1 de Loulé, no Algarve. Mônica Mariano está a realizar o estágio do curso de arte-terapia. Pediu à escola de Loulé que indicasse quais os alunos que tinham problemas ao nível da aprendizagem e do comportamento. Entrevistou as crianças e os pais e selecionou o grupo com o qual trabalha algumas horas por semana. 

É preciso ajustar o método, escolher a arte mais adequada ao grupo. Mônica Mariano adianta que o que se passa dentro das quatro paredes da sala é guardado convenientemente. A arte-terapeuta não entra em grandes pormenores com os pais ou encarregados de educação. Aos professores vai perguntando se há ou não progressos. "Não entro em muitos pormenores. A criança está, de alguma forma, a entregar alguns segredos", explica. "Não vou muito ao detalhe porque a criança precisa dessa confiança", acrescenta. Trabalham-se emoções escondidas, sentimentos guardados que se exteriorizam através dos materiais que são colocados nas mãos. "As crianças podem pintar de outra forma, fazer outra coisa, sem ter de falar das emoções." No fundo, salienta, "trabalha-se mais a criança na sua espontaneidade". Para Mônica Mariano, "a arte-terapia funciona muito bem nas escolas, até em termos de adolescentes porque é um momento que têm para se exprimir, para falar dos seus problemas de uma forma mais livre, não estando restringidos às regras da escola". "É uma forma fantástica de falar das emoções e dos sentimentos", conclui. 

Cristina Cruz é arte-psicoterapeuta há seis anos. Exerce psicologia e arte-terapia na EB 2,3 dos Louros na Madeira. Trabalha com alunos dos 10 aos 17 anos, do ensino regular e que frequentam cursos de Educação Formação. Uma sessão de arte-terapia tem três fases. "A primeira de acolhimento das crianças ou dos adolescentes (como foi a semana, acontecimentos especiais de algum aluno); a fase de desenvolvimento onde cada participante expõe as suas angústias de forma expressiva (pintura, escrita criativa, tabuleiro areia, dramatização, colagens), onde depois vamos explorar os sentimentos e emoções de cada um; a fase do encerramento, na qual tentamos conter e sustentar tudo o que se passou na sessão para todos se sentirem acolhidos."

Cristina Cruz considera que a arte-terapia pode ser desenvolvida em qualquer faixa etária. E há frutos que vão sendo colhidos. "O desenvolvimento da criatividade nas crianças e adolescentes proporciona-lhes uma integração diferente da sua forma de percepcionar o meio que os rodeia. De tal forma, que os mediadores da arte-terapia criam um leque de abertura para o próprio self", realça. Na sua perspetiva, há escolas que resistem a abrir a porta a essas experiências. "Penso que nem todas as escolas estão receptivas para esta intervenção. Na escola em que trabalho há uma grande receptividade para a mudança, logo tudo o que surge de novo, e que tenha resultados positivos, é bastante aceite", refere.

Irene Monteiro é psicóloga e está a terminar a formação de arte-terapia. Neste momento, trabalha com um grupo de vítimas de violência doméstica num projeto social. A técnica reconhece que a prática é relativamente nova e que, regra geral, ainda não faz parte de um projeto educativo alternativo. "A arte-terapia pode ser muito útil em contexto escolar porque pode trabalhar com uma população de crianças de risco, em risco de abandono escolar, com dificuldades de aprendizagem, com necessidades educativas especiais." "A intervenção da arte-terapia tem um carácter de tratamento quando há uma problemática instalada. A componente de integração é muito útil", afirma. 

Irene Monteiro realça o que a metodologia em que a terapia dá as mãos à arte "trabalha muito de afetos, trabalha questões do foro emocional". "Nas necessidades educativas especiais, a intervenção é muito centrada nos défices cognitivos e a parte emocional, relacional, fica de fora", sublinha. "Na arte-terapia cabem muitas atividades, o que a diferencia é depois o que é feito sobre essas atividades. O arte-terapeuta não é alguém que diz à criança para fazer assim ou de forma diferente, que lhe diz que está bem ou que está mal", acrescenta. 

O psicólogo Hugo Cruz usa a arte para trabalhar com alguns alunos recorrendo ao teatro-fórum. A partir de uma peça de teatro, os alunos podem trocar de papéis para mudarem o rumo da história, para tentar resolver problemas identificados na representação. Usa a arte e não a terapia numa lógica, explica, "mais preventiva e educativa e não tanto remediativa". A violência doméstica é o tema que tem percorrido vários estabelecimentos de ensino do concelho de Santa Maria da Feira, onde Hugo Cruz coordena o projeto municipal Direitos & Desafios. O psicólogo afirma que a arte-terapia faz todo o sentido nas escolas. "Pode ser um excelente instrumento para exteriorizar emoções relacionadas com as vivências na escola." "O facto de se ter uma má nota tem uma carga emocional e uma implicação muito fortes", alerta. 

A arte-terapia ainda é pouco utilizada nas escolas portuguesas. Esta relação particular entre o sujeito, o objeto de arte e o terapeuta não consta nos planos curriculares. A metodologia é bastante abrangente, uma vez que recorre a diversas componentes artísticas como pintura, desenho, jogos, marionetas, música, expressão corporal, poesia, escrita livre e criativa, colagens, modelagens. Tudo o que estiver ao alcance para abordar emoções e sentimentos. O objeto de arte serve sobretudo para mediar as expressões.

Nas contas feitas pela Sociedade Portuguesa de Arte-Terapia (SPAT) há, neste momento, oito estabelecimentos de ensino a recorrerem a esta prática. "Temos vários membros a atuar em contexto escolar. No Porto, na Grande Lisboa, no Algarve, na Madeira, com grupos diversos em termos de idade, classe social, problemática, etc. A recepção desse tipo de intervenção costuma ser muito boa. Não é mais solicitada por desconhecimento por parte dos profissionais de educação", adianta Daniela Martins, da SPAT. A responsável defende que a arte-terapia deve ser usada em contexto escolar, abrangendo todas as faixas etárias. "As situações podem ser diversas, dependendo do objetivo do trabalho: apoio à aprendizagem, comportamento, desenvolvimento criativo e pessoal, apoio à educação especial, apoio ao desenvolvimento motor, problemáticas específicas do foro psiquiátrico, etc."

No caso concreto das necessidades educativas especiais, Daniela Martins realça que o método pode trazer vantagens ao nível do "apoio ao desenvolvimento cognitivo/motor, apoio à aprendizagem, criação de um espaço de confiança para liberação da dor, facilitar a espontaneidade, trabalhar questões relativas à eventual exclusão social, estimulação sensorial". "A arte-terapia costuma ser muito bem recebida nas escolas, com a utilização das mais variadas técnicas: expressão plástica, musical, dramática, corporal".

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Dia novo, esperança maior

"Dia novo, esperança maior.
Que a remessa de alegrias 
por vir seja abundância nas horas.
Que toda sorte de bons pensamentos 
permeie a razão dos instantes.
Quero fazer valer a condição de 
crença bonita que levo.
Quero fazer das certezas, verdades
que contribuam.
Quero ser a transparência de alma
que junta, sempre.
Que o trabalho evolua, que a vontade
de acertar seja missão.
Faço oração pro minuto, e resoluto,
agradeço.
Ao dia, aos amigos, a Deus."
(Dan Cezar)

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Acorda dona moça

Avida passa lá fora
 e você fica aí olhando pra dentro,
 fechada no nada.
 Flores precisam ser coloridas,
 sorrisos precisam ser enfeitados,
 estrelas estão amontoadas num canto esperando para iluminar os beirais das janelas.
 Hoje, uma borboleta comentou que você esqueceu sua aquarela na esquina da praça

 e crianças travessas andaram brincando de pintar vidraças, 
achando que eram cores sem dono, sem casa.
 O que foi que você perdeu,
 que de tão distante seus olhos não veem mais nada?
 O que encontrou pelo caminho que a fez descolorir e cansar de sorrir?
 Quero pintar um coração vermelho em sua boca,
 para que você se recorde de falar de amor,
 quero vaga lumes fazendo morada nas suas pestanas para iluminar seu olhar de flor.
 Vem dona moça,
 o tempo é agora, 
a vida é lá fora e tudo fica sem graça sem sua risada gostosa, 
sem sua mistura de cor."

(Renata Fagundes)

 https://www.facebook.com/share/p/18ao4u4vbB/